terça-feira, 31 de agosto de 2021

*A DESAFIADORA, ARTE DE VER* - de Rubem Alves

 



*A DESAFIADORA, ARTE DE VER* 

O que vemos e o que deixamos de ver. 

Ela entrou, deitou-se no divã e disse: “Acho que estou ficando louca”. 

Fiquei em silêncio aguardando que ela me contasse os sinais da sua loucura.  

E Ela foi contando : “Um dos meus prazeres é cozinhar. Vou para a cozinha, corto as cebolas, os tomates, os pimentões – é uma alegria!

Alguns dias atras, eu fui para a cozinha para fazer aquilo que já fizera centenas de vezes: cortar cebolas. Ato banal sem surpresas. 

Mas, cortada a cebola, eu tive um susto. 

Percebi que nunca havia visto uma cebola. Aqueles anéis perfeitamente ajustados, a luz se refletindo neles: tive a impressão de estar vendo a rosácea de um vitral de catedral gótica.

De repente, a cebola se transformou em obra de arte para ser vista! 

O mesmo aconteceu quando cortei os tomates, os pimentões… 

Agora, tudo o que vejo me causa espanto.”

Ela se calou, esperando o meu diagnóstico. 

Eu me levantei, fui à estante de livros e de lá retirei as “Odes Elementales”, de Pablo Neruda. 

Procurei a “Ode à Cebola” e lhe disse: “Essa perturbação ocular que a acometeu é comum entre os poetas. Veja o que Neruda disse de uma cebola igual àquela que lhe causou assombro:

- ‘Rosa de água com escamas de cristal’. 

Não, você não está louca. Você ganhou olhos de poeta… Os poetas ensinam a ver”. 

Ver é muito complicado.

Isso é estranho porque os olhos, de todos os órgãos dos sentidos, são os de mais fácil compreensão científica. A sua física é idêntica à física óptica de uma máquina fotográfica: o objeto do lado de fora aparece refletido do lado de dentro. 

Mas existe algo na visão que não pertence à física. 

William Blake sabia disso e afirmou: 

- “A árvore que o sábio vê não é a mesma árvore que o tolo vê”.  

Sei disso por experiência própria. Quando vejo os ipês floridos, sinto-me como Moisés diante da sarça ardente: ali está uma epifania do sagrado. 

Mas uma mulher que vivia perto da minha casa decretou a morte de um ipê que florescia à frente de sua casa porque ele sujava o chão, dava muito trabalho para a sua vassoura. Seus olhos não viam a beleza. Só viam o lixo. 

Adélia Prado disse: 

- "Deus, de vez em quando, me tira a poesia. Olho para uma pedra e vejo uma pedra”. 

Drummond viu uma pedra e não viu uma pedra. A pedra que ele viu virou poema. 

Há muitas pessoas de visão perfeita que nada vêem. 

Não ser cego não basta para ver as árvores e as flores.  

"Não basta abrir a janela para ver os campos e os rios”, escreveu Alberto Caeiro, heterônimo de Fernando Pessoa.  

O ato de ver não é coisa natural. Precisa ser aprendido. 

Nietzsche sabia disso e afirmou que a primeira tarefa da educação é ensinar a ver. 

O zen-budismo concorda, e toda a sua espiritualidade é uma busca da experiência chamada “satori”, a abertura do “terceiro olho”.  

Não sei se Cummings se inspirava no zen-budismo, mas o fato é que escreveu: 

- “Agora os ouvidos dos meus ouvidos acordaram e agora os olhos dos meus olhos se abriram”. 

Há um poema no Novo Testamento que relata a caminhada de dois discípulos na companhia de Jesus ressuscitado. Mas eles não o reconheciam. Reconheceram-no subitamente: ao partir do pão, “seus olhos se abriram”.

 

Vinicius de Moraes adota o mesmo mote em “Operário em Construção”: 

- “De forma que, certo dia, à mesa ao cortar o pão, o operário foi tomado de uma súbita emoção, ao constatar assombrado que tudo naquela mesa – garrafa, prato, facão – era ele quem fazia. Ele, um humilde operário, um operário em construção”. 

A diferença se encontra no lugar onde os olhos são guardados. 

Se os olhos estão na caixa de ferramentas, eles são apenas ferramentas que usamos por sua função prática. Com eles vemos objetos, sinais luminosos, nomes de ruas – e ajustamos a nossa ação. 

O ver se subordina ao fazer. Isso é necessário. Mas é muito pobre.

Os olhos não gozam…  

Mas, quando os olhos estão na caixa dos brinquedos, eles se transformam em órgãos de prazer: brincam com o que vêem, olham pelo prazer de olhar, querem fazer amor com o mundo. 

Os olhos que moram na caixa de ferramentas são os olhos dos adultos. 

Os olhos que moram na caixa dos brinquedos, das crianças.  

Para ter olhos brincalhões, é preciso ter as crianças por nossas mestras. 

Alberto Caeiro disse haver aprendido a arte de ver com um menininho, Jesus Cristo fugido do céu, tornado outra vez criança, eternamente: - - "A mim, ensinou-me tudo. Ensinou-me a olhar para as coisas. Aponta-me todas as coisas que há nas flores. Mostra-me como as pedras são engraçadas quando a gente as têm na mão e olha devagar para elas”. 

Por isso – porque eu acho que a primeira função da educação é ensinar a ver – eu gostaria de sugerir que se criasse um novo tipo de professor, um professor que nada teria a ensinar, mas que se dedicaria a apontar os assombros que crescem nos desvãos da banalidade cotidiana.  

Como o Jesus menino do poema de Caeiro.  

Sua missão seria partejar “olhos vagabundos”… 

Rubem Alves


Matéria enviada por  Valmir Vilmar de Sousa 

sexta-feira, 13 de agosto de 2021

Reuniâo de Agosto

 As reuniões da Associação Literária Florianopolitana têm sido um marco de dinamismo e cultura , presidida por IVONITA DI CONCÍLIO, através de Lives  tendo como cerimonial Laura Malta e presenças aliflorianas atuantes assim e alguns convidados. Os eventos têm como motivação artística as lindas imagens feitas por Rosaura Saraiva e o blog alimentado por Janice Pavan. Todos os meses  no primeiro segmento uma rápida pauta; no segundo, convidado especial dá  entrevista  sobre sua interessante trajetória; no terceiro,um sarau apresentado pelos aliflorianos inscritos e, no quarto, destaque alifloriano. 




Convidada especial do mês de agosto: MARIA TERESINHA DEBATIN 

BIOGRAFIA

MARIA TERESINHA DEBATIN nasceu no dia 04 de julho de 1956 na cidade de Brusque SC; aluna da escola municipal professora Norma Ribas Junior onde uma vez alfabetizada escreveu suas primeiras poesias. 

Cursou o ginasial no colégio São Luiz e ciências contábeis no Honório Miranda. Fez administração incompleta na UNIVALI, gestão de pessoas gestão de negócios e Capacitação gerencial; facilitação de grupo e de Consultório pelo CIEPH, (Centro integrado e Escola de Pesquisas Humanacola Argentina radicada em SC, cursos diversos nas áreas de Administração, liderança e gerenciamento, formação em numerologia cabalística pelo Centro de Estudos Juarez Guderfull, formação em caminhos de alma, mesmo instituto acima citado, alem de muitos outros cursos em numerologia e numerologia quântica.

 

Histórico profissional – Principais cargos:

1- Funcionária do Banco do Estado de Santa Catarina por 26 anos dos quais 23 como gerente geral nas agências de Brusque, Guabiruba, Botuverá, São João Batista, Itajaí, Balneário Camboriu, finalizando sua carreira como Diretora.

2-Diretora da BESCOR- BESC Corretora de Seguros por 4 anos

3- Diretora da CASAN

4-Diretora da Imprensa Oficial e Editora do Estado de Santa Catarina e do Arquivo Público do Estado entre 19.03.2007 até o dia 07.11.2011.

Autora do projeto Cem Cópias Sem Custo que virou lei sob o número 15019 nas mãos do atual Senador Jorginho Mello, e tem por objetivo ajudar o Escritor Catarinense a publicar seus livros a custo zero. 

5- Em 2014 foi Secretária Adjunta da Secretaria de Esportes, Turismo e Cultura. 

6- Entre 2015 e janeiro de 2017, foi Presidente da Fundação Catarinense de Cultura- FCC  

Atualmente: Ministra palestras, Seminários e cursos, e atendimento individual para pessoas físicas e empresas, por todo o estado, com sede em Balneário Camboriú-SC.

6- Com Formação em Gestão de Pessoas/Gestão de Negócios e Capacitação Gerencial com foco em contrato de Resultados, pela Dom Cabral de Minas Gerais em parceria com a UFSC, inicia projeto para consultoria, capacitação e palestra sobre o tema.       

 

7-Escritora  e Compositora– Obras lançadas

1-        As muitas Faces de um Sujeito chamado “EU” 

2-        Depois de Ontem. . . A vida sem meias verdades 

3-        Gestão do SER 

4-        Três Reis e Um Mago

5-        Pronta Para Remessa

6-        De Zero a Dez! Qual é o seu Número? 

7-        “FELIZ ANIVERSÁRIO” - CD com Letra e melodia de minha autoria

8-        Simplesmente Natal: Letra e melodia- CD Gravado pelo Coral e orquestra Florianópolis.

9-         A Lua e o Caminhante

10-       A Coelha Florisbella

11-      Donna A Formiga

12-       Livro infantil, na gráfica para lançamento em outubro 2021- O Menino João, que foi meu avô

13-      E outras para lançamentos futuros.  

Contato: dhebatin@yahoo.com.br ou luadocaminhante@gmail.com ou pelo facebook – Maria Teresinha Debatin


A POESIA DE TERESINHA 






DE QUE VALE ...

De que vale ter um quarto com varanda

Se você não contempla a Lua,

Não estica a rede nem encolhe o corpo;

Não solta às rédeas do pensamento e,

Em tempo. .  Deseja o céu, o firmamento.

A estrela mais bela a namorar o cometa.

 

De que vale ter, a cada mês, quatro luas,

Se não for para cada dia lutar, fazer minguar

os medos,

Largar a inércia, pegar carona com a Lua Nova

e renovar desejos;

Fazer crescer a esperança de véspera

E no despertar do novo dia ser a própria

Lua cheia á iluminar o recomeço.

 

De que vale ter:

Um quarto

Uma janela

Uma varanda

Uma Lua

Uma estrela

E a luz do cometa a lhe indicar a trilha?

 

Vale nada para o pobre e para o cego

Que:

Enxergando e sendo rico nada vê, e de nada se vale.

Vale, prata, ouro, diamante,

Um tesouro para o rico de desejos,

Que na sombra projeta vida

E na vida não vive na sombra.

Expõe-se e compõe nas linhas brancas

Da branca vida. . . Traços coloridos

Onde pisam seus sagrados passos. 

Maria Teresinha Debatin


DESTAQUE ALIFLORIANA 


 

MÁRCIA W. KONDER Nascida a 1° de junho de 1946, na cidade  do Rio de Janeiro, RJ, estudei na Escola Pública Henrique Dodsworth, no Bar Vinte, e no Colégio Brasileiro de Almeida, em Ipanema até vir para Florianópolis,  em 1962, com quinze anos, trazida pelo meu pai, catarinense,  de Itajaí. Estudei no Instituto Estadual de Educação.  Namorei o pai dos meus filhos, casei. Tenho 3 filhos e 3 netos, todos manezinhos. Fiz o curso de Letras, na UFSC, no final da década de 70, princípio da década de 80, onde conheci Alcides Buss, que mantinha o Vatal Literário. No Varal comecei a mostrar meus poemas. Com Alcides Buss também participei de uma oficina literária semanal. Fui professora de português  de na Escola Pública da Costeira do Pirajuba é, e professora de Redação e Português das Escolas Barddal.  Em 1985, deixei o magistério para me dedicar ao teatro, ao qual me dediquei por treze anos. Em 2000, iniciei meu trabalho como massoterapeuta e me tornei terapeuta CranioSacral.  Há oito anos danço dança cigana com a professora Silvia Bragagnolo e estou aprendendo a tocar  castanholas. 

Escrevo poesia e crônica

Publicações "

1. Antologia do Varal Literária;

2. Flor de Lis (poemas);

3. Flor de Lótus  (poemas);

4. FLOR DE LIS - Coletânea III da ALIFLOR;

5. 2001/2021 Vinte Anos ALIFLOR.

Além de membro da Aliflor, como escritora e integrante da atual diretoria, e da página do Mil Poemas, sou contadora de histórias do Movimento de Narradores Mãos que Tecem Histórias e membro fundadora da recém criada Associação Cultural Mãos que Tecem Histórias.

Atualmente também participo do programa AVÓS NA TARDE, que completou sua Oitava Edição.


POESIA DE MÁRCIA: 

 O HOMEM CINZA 


POEMAS DE ALIFLORIANOS PELO WATTS

 


COMO CONSEGUIR?

Como conseguir?

Conciliar o sossego d'alma

Com o sustento do pão, 

Sem precisar mentir?

 

Como conseguir...

Manter o sorriso aberto

Tendo o peito fechado

Em pranto, coberto?

 

Como conseguir 

Ser eu mesma, 

Sem deixar de ser

Aquela que tenta fingir?

 

Como conseguir?

Basta AMAR

Deixando a Alma voar,

É o corpo, seguindo vago.

 

Raquel Conti

Em 06/08/82

 

 



"ON LINE"

 

Estamos no ar

- ao vivo & "on-line".

Estamos na Terra

numa "big" nave.

Estamos no ar

estamos na "live".

 "Ser ou não ser"

estar ou não estar

de qualquer maneira viramos "stars"!

Tudo é volátil 

estamos no éter,

certo ou errado

- não me "delete".

Google Face Instagram !

Estamos falando Inglês !

Twitter Tinder Linkedin 

- Brindemos, 

merece tim-tim!

Finalmente eternizados guardando tudo "na nuvem"

- Estamos por fim nas nuvens 

"internetizados".

 

Suraya Helayel Maia. 

Julho/2021.

 

 

FIM

Fim...

Palavra tão pequena com tanto peso...

Três letras que trazem 

O significado de todo um alfabeto

Fim...

Quem inventou... 

Não sabia que não existe o fim...

O que dizem ser o fim da vida... 

Nada mais é do que uma passagem para outra vida...

O que dizem ser fim de um contrato...

É a chance de rever as clausulas 

E assinar um novo contrato...

O que dizem ser o fim de um relacionamento...

Pode ser o recomeço de um novo romance...

Fim... 

Todo fim causa uma ruptura 

Seja comercial... Profissional ou pessoal...

Traz a dor da insegurança e do medo... 

Com aquele gostinho de perda...

Mas também traz esperança de um recomeço...

Ótimo fim de semana  para um esplendoroso início de semana. 🌹🌹🙏🙏

CiganaRo








Reunião de junho

 





Em 17 de junho a presidente da Aliflor, IVONITA DI CONCíLIO,  faz entrega de cestas básicas a associação de moradores de Nova Palhoça , contribuição dos aliflorianos beneméritos.  




Reunião de Julho

 



Nosso Destaque de julho, convidada pela Rosaura, é a psicoterapeuta MÔNICA DA SILVA JUSTINO  . Nascida no Rio de Janeiro. Vive em Florianópolis desde 1982. Fez curso de Psicologia na UFSC e em 1987 fez quatro anos de licenciatura na França. Em 94 fez graduação, mestrado e doutorado na Engenharia de Produção da UFSC. É pioneira da psicogenealogia no Brasil. Promove workshops desde 2008. É autora do livro " Psicogenealogia - um Novo Olhar na Transmissão da Memória Familiar". Trabalha há mais de 20 anos na área clínica com psicoterapia, orientação profissional, gestão do estresse e outros.































sexta-feira, 28 de maio de 2021

UMA BOA MÚSICA de Valmir Vilmar de Sousa

 


                                                                           UMA BOA MÚSICA

 

Ouvindo uma boa música

Me sinto encantado

Com os acordes de um violão

Bem tocado, bem afinado

 

Viajo ao passado

Relembro momento vivido

De um amor perdido

Um amor não correspondido

 

Ouvindo uma boa música

Sinto o cheiro da rosa

O aroma de seu perfume

Exalado em verso e prosa

 

Namoramos o céu estrelado

Percebendo nossos corpos suados

Na areia do chão sombreado

Cadenciados, serem beijados

 

Ah! este sol matreiro

Desejando nos revelar

Que o dia se faz arteiro

Para quem deseja se amar. 

Valmir Vilmar de Sousa (Vevê) 18/05/21